:: Emprego cai na rede! - Monday, August 24, 2009

Correio Braziliense

Ter perfil no Orkut, Twitter ou LinkedIn é mais um trunfo para entrar no mercado. Cada vez mais empresas investem nas redes sociais para recrutar candidatos e divulgar oportunidades de trabalho.

O contato é virtual. Mas o efeito é o mesmo do tradicional boca a boca. O anúncio da vaga, expresso em poucos caracteres, vai sendo repassado a milhares de pessoas. Pronto: está formada a rede social na web. A forma econômica e rápida de chegar perto de quem procura emprego já figura entre os meios preferenciais de recrutamento pelas empresas. Das mais pessoais, como Orkut, Facebook e MySpace, às quase executivas, como LinkedIn, é possível não só investigar a vida de um possível candidato, como selecionar de forma eficiente profissionais qualificados para os mais diversos cargos.

Na busca por um emprego, quem não está na internet praticamente é incapaz de ser visto ou lembrado, adiantam os especialistas. “Foi-se o tempo em que o candidato enviava currículos somente por correio. As entrevistas podem ser feitas pela web e os testes já são online. Os recrutadores não perdem tempo e estão de olho”, diz Adriano Meirinho, diretor de Marketing da Catho Online.

Para otimizar a interação com o público-alvo, a AmBev lançou o programa de trainee 2010 pelo Orkut. No jogo interativo “Vai uma aí?”, os usuários simulam atividades do dia a dia da empresa, além de tirar dúvidas e participar de chat com o diretor da companhia no site de inscrições. “Queríamos estar onde os jovens estão e se comunicam. Por isso, buscamos uma forma alternativa que nos permite conhecer e identificar talentos, antes mesmo das entrevistas pessoais”, explica Maria Isabel Albernaz, especialista em recrutamento e seleção da multinacional.

Para Eline Kullock, presidente do Grupo Foco, uma das primeiras empresas de recursos humanos a selecionar candidatos pelas mídias sociais, a grande vantagem é que elas permitem a formação de uma rede de seguidores. “Entretanto, é preciso, antes de tudo, passar credibilidade. Por isso, empresas apostam em profissionais de referência e especialistas para fomentar a interação virtual”, ressalta.

De fato, o uso das plataformas nos processos de recrutamento se consolida a cada dia. Mas não adianta “atirar para todo lado”, avisa a especialista. “Cada rede identifica-se com um determinado tipo de profissional e exige uma comunicação específica. A especialização implica que, para recrutar candidatos para determinadas funções, existem redes mais promissoras que outras”, diz. Para capturar jovens profissionais até os de nível gerencial, Eline Kullock recomenda ferramentas como Facebook, Hi5 ou Orkut. Enquanto os mais qualificados, certamente cairão na rede do LinkedIn.

Em relação à oferta de emprego, as redes sociais são imbatíveis na divulgação. Contudo, a veracidade das informações ainda é questionável. Não é toa que muitos recrutadores não abrem mão das tradicionais etapas de contratação como as entrevistas presenciais. “As redes servem como filtro. Gasta-se tempo somente com as pessoas mais adequadas ao perfil da companhia. Mas não dá para conhecer um candidato somente por um perfil”, salienta Marcelo Abrileri, presidente do site Curriculum.com e especialista em carreira.

Por isso, sites como o Curriculum.com e a MonsterBrasil.com apostam nas próprias ferramentas de networking e recrutamento. “Nem todo mundo utiliza uma rede social para fins promocionais, como ocorre em um site de emprego, em que há toda uma equipe por trás, inclusive, para que a ferramenta funcione”, compara Rodolfo Ohl, diretor do MonsterBrasil.com, subsidiária do Monster, empresa global de recrutamento e seleção online.

Corrente

Ainda na década de 1960, o sociólogo canadense Marshall McLuhan anunciava: uma organização baseada nas mídias eletrônicas levaria ao surgimento de uma aldeia global. Hoje, esse mesmo território virtual que afasta o contato físico é o responsável por tornar as pessoas mais colaborativas. “Os candidatos costumam trocar links quando ficam sabendo de uma vaga com sua rede de amigos. Essa postura colaborativa cria oportunidade de o profissional ser visto e é muito valorizada pelas empresas”, aponta Carmen Cavalcanti, psicóloga e diretora da Rhaiz Soluções em RH.

Muito além de querer chamar a atenção dos recrutadores, José Estelo Ribeiro Batista, 52 anos, divulga oportunidades para os amigos, por e-mail, Orkut e até pelo celular. “Já senti na pele como é estar desempregado. A recompensa é quando alguém liga agradecendo”, conta. Há dois anos, o gerente de compras no ramo da construção civil se dedica ao que chama de corrente do emprego. Pelo menos dois dias na semana, reserva um horário para selecionar as vagas disponíveis na rede e repassá-las. “Ao todo, consegui encaminhar mais de 200 pessoas para o mercado”, comemora.

Fábio Lemos da Costa, 29 anos, é uma delas. Graças ao boca a boca online, disseminado por Estelo, o brasiliense conquistou um emprego, após aprovação em um processo seletivo. “Ainda desempregado, cheguei a pagar uma consultoria para me recolocar no mercado de trabalho. Hoje, isso não é mais necessário. Conto com as redes sociais que, além de gratuitas, são eficientes”, comprova o conferente logístico de uma multinacional que, em pouco mais de um mês, ajudou cinco pessoas pela corrente virtual.

Aldeia global

Foi um dos primeiros filósofos a discutir sobre as transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica. Criou a metáfora aldeia global para explicar as mudanças e percepções derivadas dos meios de comunicação, sobretudo a partir da televisão — meio de comunicação de massa em nível internacional que começava a ser integrado via satélite na época.

De olho na reputação virtual

Da mesma forma como as redes sociais facilitam a divulgação de informações e o acesso ao emprego, esse instrumento, caso mal utilizado, pode atrapalhar o candidato e inviabilizar pretensões

Priscila Mendes

Odeio acordar cedo. Detesto admitir que estava errado. Meu chefe é um mala! Se você faz parte de comunidades como essas e está à procura de emprego, é bom mudar de postura. As redes sociais tornaram-se fontes preciosas de informações e pesquisas para as empresas. “Não adianta você estar bem-vestido na entrevista, se você não tiver um bom comportamento virtual. O lado pessoal está cada vez mais se fundindo com o profissional na rede”, alerta a especialista Eline Kullock, presidente do Grupo Foco.

Daniel de Araújo Reis, 25 anos, sabe bem disso. “Me surpreendi quando cheguei na seleção e o recrutador me entrevistou como já me conhecesse”, conta. Por isso, o brasiliense aposta em sites específicos voltados para carreira, como o LinkedIn, para se comunicar com profissionais da área de Tecnologia da Informação. E mesmo no perfil pessoal que mantém no Orkut não desliza. “Separo lado pessoal do profissional. Mas prefiro não arriscar. Nada de comunidades comprometedoras”, aconselha o engenheiro de sistemas da MTel Tecnologia.

Adriano Meirinho, diretor de Marketing da Catho Online, acredita que não há com que se preocupar, pelo menos no território do Orkut. “Esse boom já passou. Hoje, não interessa muito ao selecionador vasculhar a vida de um candidato pela rede do Google, blogs ou twitter. O LinkedIn, sim. É um site específico e mais utilizado profissionalmente pelos RHs”, aposta. Para não cair em eventuais armadilhas é preciso ter bom senso. “Cabe ao profissional ter discernimento e responsabilidade por seus atos. Já que praticamente muitos desses canais são públicos. Convém a ele saber o que pode prejudicar ou não sua imagem profissional”, diz Adriano Meirinho.

Já a hipótese de se manter fora das redes não é aconselhável. Não se trata de seguir a moda: estes costumes vieram para ficar. “A resistência ao novo é natural. Eu mesmo relutei para cair no Twitter. Mas é preciso correr atrás. Quem dominar este tipo de comunicação e mostrar talento terá mais chances de sucesso”, avisa Marcelo Abrileri, presidente do site Curriculum.com e especialista em carreira.

Recompensa

Na era da web 2.0, quem pratica o famoso Q.I ou quem indica ganha até recompensa na rede. No Indica, site de hunting online, qualquer um pode indicar profissionais que atendam os requisitos das vagas anunciadas. Os profissionais do site fazem uma triagem e comunicam-se com a empresas. Se alguém da lista for contratado, o Indica recebe uma comissão e a pessoa que indicou pode faturar de R$ 300 a R$ 2.500, proporcional ao nível da oportunidade.

“Ainda somos um serviço recente e as empresas mantêm seus próprios métodos de seleção. Mas a privacidade garantida ao participante e a eficiência em encontrar profissionais qualificados atraem cada mais participantes”, explica Dan Turkieniez, diretor executivo do site.

Para evitar indicações daqueles que visam apenas a recompensa, o número do CPF é pedido na hora do registro e um ranking dos indicadores é feito regularmente. “Nas redes sociais, as empresas podem levar muito tempo procurando o candidato ideal em meio a tantos perfis diferentes. No nosso sistema, o mercado é o recrutador”, garante.

Caia na rede

Na era da web 2.0, as empresas e recrutadores recorrem às redes sociais para chegar mais perto de quem procura emprego. Para não ficar fora dessa e ser fisgado na internet, confira como os sites mais populares podem ser usados com fins profissionais:

Orkut

É a rede social mais usada no Brasil. No começo, os perfis eram abertos e qualquer um podia bisbilhotar. Hoje, o usuário decide quem pode ler suas informações, o que garante maior privacidade. A rede do Google é uma grande divulgadora de vagas de emprego na web. As comunidades específicas de categorias profissionais costumam ter boas ofertas. Além disso, servem de espaço para discussões. Grandes empresas utilizam o Orkut para interagir com usuários. Trata-se de uma ferramenta mais descontraída, mas é bom tomar cuidado. Alguns recrutadores buscam informações pessoais e profissionais do candidato na rede.

Twitter

Está entre as redes mais populares do país. É a mais simples de todas. Os participantes postam mensagens de até 140 caracteres, respondendo a pergunta: "O que você está fazendo?". Quem se inscreve como seguidor de outro integrante passa a receber os comentários da pessoa seguida pelo computador e celular. A ferramenta é usada por diversas empresas para se comunicar com clientes e possíveis candidatos. Há perfis criados unicamente com a intenção de anunciar empregos e promover discussões relacionados ao desenvolvimento de carreira.

Facebook

É considerada a maior rede social online do mundo. O perfil e a lista de amigos ficam disponíveis apenas para quem está autorizado. Conta com uma variedade de aplicativos, como lembrete de aniversários e enquetes. Combina muito bem o uso corporativo com entretenimento. Além da divulgação de fotos e vídeos, as comunidades abrem espaço para discussões nos fóruns. Inicialmente, era restrita a universitários. Mas hoje é aberta a qualquer usuário. Muitas empresas usam a ferramenta para se comunicar com clientes e profissionais para fazer networking.

LinkedIn

Permite aos usuários criar e manter listas dos contatos profissionais, bem como de amigos, com o objetivo de criar uma rede de contatos. Mesmo aqueles que não têm cadastro no site podem consultar currículos. Há ainda a possibilidade de procurar por pessoas que trabalharam ou estudaram nos mesmos locais e na mesma época que o usuário, o que facilita a busca de antigos contatos. Por seu caráter formal, é utilizado pela maioria como um serviço de negócio para fins profissionais. Muito usado por executivos e consultado por headhunters para recrutar candidatos adequados ao perfil da empresa, principalmente, os mais qualificados.

Plaxo

Também é voltado para executivos, mas com muito menos funcionalidades do que o LinkedIn. Surgiu com o intuito de ser uma agenda online de contatos, que se manteria sempre atualizada pelos participantes, contendo e-mail, telefone, data de aniversário e experiência profissional. Apesar de ter muitos usuários, não é muito utilizada no Brasil para conectar profissionais. Porém, é muito útil para quem precisa de uma lista online de contatos.

MySpace

Na rede, é possível incluir, facilmente, arquivos de música e vídeos. O site já foi líder no mercado até ser ultrapassado pelo Facebook. Não é muito utilizado por profissionais e empresas. Mas é o preferido do meio musical, em especial, de as bandas.

Hi5

Alia recursos do Orkut e MySpace. A princípio, o site atingia mais o público juvenil. Mas vem ganhando força entre os profissionais. Permite aos usuários customizarem suas páginas com planos de fundo, cores e fontes diversas. É possível criar comunidades e compartilhar música e fotos, montando um álbum. Sem contar a seção de blogging em que você pode publicar um diário online, visto somente pelas pessoas autorizadas. É ideal para fazer networking.

Espelho online

Para não cair nas armadilhas virtuais e garantir uma boa visibilidade profissional na web, confira algumas dicas dos especialistas:

-Embarque nas redes sociais. Pessoas proativas correm atrás de oportunidades sejam onde for. Lembre-se: os empregadores valorizam candidatos abertos a novas tendências.

-Faça parte de comunidades temáticas e específicas de acordo com a sua categoria profissional. Elas podem lhe ajudar a encontrar vagas adequadas ao seu perfil.

-Participe de fóruns de discussão. Coloque seu ponto de vista de forma civilizada. As empresas procuram candidatos que saibam se posicionar e, ao mesmo tempo, sejam flexíveis.

-Respeite a língua oficial, principalmente, nas redes com finalidades profissionais. Mesmo em microblogs como o Twitter, em que personagens postam mensagens em até 140 caracteres, não utilize abreviações típicas de usuários do Messenger (MSN) ou gírias.

-Pesquise quais as redes mais importantes dentro de sua estratégia de mídia social e concentre-se em apenas algumas delas. Nada de ficar atirando para todos os lados.

-Atualize seu perfil sempre que puder. Começar e não terminar um blog, por exemplo, pode parecer que você não é persistente aos olhos do recrutador.

Fontes: Marcelo Abrileri, presidente do Curriculum.com, e Eline Kullock, presidente do Grupo Foco.

 

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