Na hora da entrevista, deixe claro o quanto você vale - Friday, June 19, 2009

IG Empregos

Falar a pretensão salarial é sinal de preparo antes da conversa

Andreza Emília Marino

Seu currículo foi selecionado para uma entrevista de emprego. Após explicar detalhes sobre a vaga e fazer algumas perguntas sobre seu perfil, o entrevistador quer saber qual a sua pretensão salarial. Nesse momento, vem a dúvida: rebater a pergunta, questionando quanto a empresa paga, dizer que a remuneração é “a combinar”, ou chutar um valor bem alto, para ver se emplaca?

De acordo com a gerente de recrutamento e seleção da Allis, Gerusa Mengarda, nenhuma dessas é a postura mais indicada. “O profissional tem que saber qual é a remuneração mínima a que ele se dispõe a sair de casa ou a mudar de emprego”, explica. “O ideal é falar esse valor e negociar os detalhes com a empresa.”

Para ela, a melhor maneira de chegar a qualquer cifra é pesquisar o quanto o mercado paga, em média, em uma posição semelhante, e informar-se sobre o perfil da empresa. “Grande parte dos candidatos não fala o quanto quer ganhar. Ao expor claramente, você demonstra preparo e consciência sobre seu valor”, frisa a especialista.

Após a pesquisa e a autoanálise, Gerusa diz que é possível dizer um número entre 10% e 20% maior, dependendo do porte da empresa e do currículo do profissional, se ele tiver diferenciais que o tornem cobiçado. O mesmo vale para caso esteja empregado. “Quem está desempregado, precisa ser mais flexível, para não desperdiçar uma chance.”

Adriana Cambiaghi, especialista em recrutamento da consultoria Robert Half, acredita que a melhor forma de se comportar nesse caso é apostar na transparência. “Aconselho a dizer o salário atual, os benefícios e o bônus, deixando claro se ele está disposto a abrir mão de algo em troca da oportunidade.” Ela faz ainda um alerta: dar continuidade ao processo seletivo, mesmo sabendo que o contratante oferece um total abaixo do esperado, acreditando na melhora após “conquistá-lo”, é muito perigoso. “O candidato cria expectativas, faz o recrutador e a empresa perderem tempo e pode até se queimar por essa atitude”, frisa.

Visão abrangente Segundo a coordenadora da área de Gestão de Carreiras da Fiap, Janete Teixeira Dias, de São Paulo, é preciso analisar de forma ampla o que a empresa oferece. “Às vezes, o salário nem é tão atraente, mas o pacote de benefícios compensa. Por outro lado, se a pessoa já tem plano de saúde ou não faz questão de vale-alimentação, o foco deve ser o salário”, ensina.

A Robert Half elaborou um material, com base na experiência dos consultores de recrutamento especializado, com o objetivo de auxiliar os candidatos com dicas que podem ser aplicadas antes, durante e depois do processo seletivo. Nele, a sugestão é de que deve-se ter certeza de que estão sendo passadas as informações corretas sobre remuneração, deixando claro se o valor informado refere-se ao salário ou à remuneração total, incluindo benefícios e bônus. Segundo a apostila, a empresa pode solicitar algum documento a fim de comprovar as informações. Por conta disso, inventar está completamente descartado.

 

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