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As empresas estão anunciando mais vagas para executivos em sites de emprego. Ruim para os caça-talentos, que estão em baixa, ótimo para você
Se networking não garantir a recolocação no mercado ou um novo cargo, o futuro emprego pode vir de outra rede: a internet. Seguindo um movimento que acontece nos Estados Unidos há algum tempo, as consultorias de headhunting no Brasil começaram a disputar intensamente espaço com anúncios de emprego online para executivos. Os sites oferecem serviços mais baratos para as empresas, que até bem pouco recorriam principalmente às fi rmas de busca de renome para preencher seus postos graduados. Cargos para gerentes, diretores e até vice-presidentes, que antes só eram oferecidos por meio de consultores, começaram a ser anunciados na internet. A boa notícia é que mesmo quem não tem o nome no banco de dados dos melhores headhunters ganha chances de conseguir um cargo de gestão. A GE Enterprise Solutions, subsidiária da multinacional americana que desenvolve alta tecnologia para empresas, tem recorrido à internet para encontrar pessoas. “Procuramos talentos também em comunidades virtuais como LinkedIn e Facebook. Headhunter só em raríssimos casos”, diz Stefanie Furrer, gerente de recursos humanos da GE Enterprise. A companhia é apenas uma das que vêm dispensando os consultores para preencher suas vagas e engrossando a crise pela qual as firmas de busca vêm passando.
O crescimento da popularidade dos portais de emprego vai na contramão do que tem ocorrido com as empresas de hunting. A crise fez diminuir a procura por executivos e a disposição das empresas de pagar pelo serviço de recrutamento. A Heidrick & Struggles, gigante americana que atua por aqui desde 1997, anunciou recentemente que reduzirá em quase 50% a área de busca de executivos no mundo e vai investir em consultoria para a alta gestão. A brasileira Fesa está expandindo sua atuação para contratar gerentes em vez de apenas altos executivos — uma maneira de diversifi car a receita. Recentemente, a Allis, consultoria do grupo de investimentos GP, criou o Indica, serviço online que aceita indicações de profissionais para suas vagas e remunera com até 2 500 reais quem fez a indicação, caso o profissional seja contratado. É uma saída para quem está vendo seus ganhos escassearem e gera, como efeito colateral, mais facilidade para profi ssionais e técnicos qualificados chegarem aos cargos que desejam.
Foi na rede que Rodrigo Vaz Ribeiro, de 32 anos, conseguiu seu emprego atual de gerente de vendas da companhia aérea chilena Lan Airlines, no final de 2008. Há seis anos trabalhando na área de aviação, Rodrigo conseguiu a vaga pelo site Trabalhando.com. “Não imaginava encontrar vagas na internet para posições e salários mais altos”, diz Rodrigo.
Um dos sites que fortalecem a onda no Brasil é o Monster, com 200 000 currículos cadastrados no país. Maior portal de recrutamento online do mundo, está chegando de mansinho por aqui, mas 29% dos anúncios são para profi ssionais de alto nível de qualifi cação. Em março, o site foi um dos que anunciou 13 vagas para vice-presidente da Avic, estatal chinesa de aviação comercial.“A decisão de abrir a fi lial brasileira veio depois que multinacionais passaram a procurar pessoas qualifi cadas no Brasil”, diz John Hyland, vicepresidente da Monster para mercados emergentes. Apesar de oferecer maior acesso ao mercado de trabalho local e global, a internet está cheia de armadilhas. Muitas empresas de anúncio de empregos online têm atuação duvidosa e o Ministério do Trabalho tem uma lista de denúncias.
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Headhunters em queda, sites em alta
Os sites de anúncio de vagas vêm ocupando o espaço que os caçadores de talentos estão perdendo no mercado. Veja abaixo:
EM BAIXA
A receita das empresas de recrutamento caiu 14%, comparando os últimos trimestres de 2007 e 2008.
A gigante Heidrick & Struggles vai reduzir os serviços de busca em 50%. A consultoria vai investir em gestão e coach.
A Fesa lançou uma área de busca de gerentes diante da queda na receita no segmento de executivos de alto escalão.
EM ALTA
No Trabalhando.com, o número de vagas para gerentes quase dobrou de janeiro para março.
Em 2008, 29% das vagas do Monster exigiam profissionais com experiência de ponta.
A busca por executivos subiu 35% em 2008 no Curriculum.com.
No site Curriculum.com, em 2008, foram anunciadas 10 053 vagas de gerente.